sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Augusto Hilário

Augusto Hilário, nascido em Viseu no ano de 1864, foi o cantor que deu ao fado de Coimbra a forma-base que ainda hoje se mantém, o primeiro estilista do género. Estudante de medicina, actor, cultor da boémia e do romance, acompanhava-se à guitarra e escrevia os seus próprios poemas, embora musicasse igualmente contemporâneos seus como Guerra Junqueiro, António Nobre, João de Deus ou Teixeira de Pascoaes. Senhor de uma linda voz, de barítono, segundo uns, de tenor, segundo outros, as suas aparições em público eram sempre aclamadas.
Falecido prematuramente em 1896,ficou imortalizado no célebre Fado Hilário que até Amália gravou. Mas não serão muitos aqueles que identificarão o Fado Hilário com uma pessoa que existiu realmente.





O jornal O Primeiro de Janeiro recorda assim: " O Hylário, o querido boémio das serenatas alegres e doidejantes, improvisou durante o sarau esta quadra (...) e seguidamente ajoelhou e atirou (...) a sua mágica guitarra que ainda vibrava (...). Os espectadores pediram mais trovas".

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Maria Severa


Maria Severa, nasceu em 1820, no bairro da Madragoa em Lisboa. De beleza exotica e cantar expressivo, conquistou os boémios da capital. Conta-se que levou o fado aos bairros populares de Lisboa e a sua voz animou as noites de muitas tertúlias bairristas; tabernas ficaram famosas só pela sua presença. A sua mocidade cheia de beleza, despertou paixões: diz-se que terão sido os seus olhos aliado ao seu doce canto a atrair o Conde de Vimioso. Mas leviano o Conde deixa a Severa e apaixona-se por uma cigana. Severa fica desvairada e começa a não ter forças para lutar pelo seu amante. Entretanto os sintomas da doença começam a manifestar-se e a 30 de Novembro de 1846 morre pobre e abandonada num miserável bordel da Rua do Capelão, vitima de tuberculose. Consta que as suas últimas palavras terão sido: "Morro, sem nunca ter vivido". Foi sepultada em vala comum, sem caixão, cumprindo o seu desejo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Amália Rodrigues

Amália da Piedade Rodrigues, nasceu a 23 de Julho de 1920 de de Dezembro de 1928 nasce numa família pobre e numerosa, que, vinda da Beira Baixa, tentava a sorte na capital. Passado pouco tempo, os pais voltam para a província, e deixam Amália com quatorze meses a viver com os avós maternos.
Estreia-se no Retiro da Severa, em 1939, e este êxito pega como um rastilho e espalha-se por Lisboa .
Em poucos anos, Amália torna-se num símbolo do sucesso nacional: a rapariga pobre que com o poder do seu canto passa da noite para o dia a ser rica e famosa, despertando todas as paixões. Tudo sobre ela se diz, tudo sobre ela se quer saber, todos os amores lhe são atribuídos. À sua volta gera-se uma curiosidade sem precedentes, sendo discutida, criticada, copiada, e seguida com ilimitado fervor.

De triunfo em triunfo Amália faz vibrar os públicos mais diversos. Em 1962 no festival de Edimburho mais uma vez a consideram à altura dos grandes artistas clássicos. Em 1963, em Beirute, é tal o seu prestígio, que a convidam a acompanhar com os seus fados uma Missao de Acção de Graças pela independência do Líbano. E continua sempre a voltar aos países que não se cansam de a reclamar. Em Paris, o acolhimento do público é sempre delirante, não só no Olympia, como participando nos mais sensacionais acontecimentos artísticos.

Em 1989, comemorando os 50 anos de carreira de Amália, a EMI-Valentim de Carvalho edita “Amália 50 anos”, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD´s temáticos agrupando muitas das gravações de Amália para a companhia, entre os quais várias raridades e gravações inéditas.
Amália Rodrigues faleceu no dia 6 de Outubro de 1999.

http://www.youtube.com/watch?v=JRANpTsA5Sw&feature=related

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fernando Farinha

Jardim da Amoreira é um bairro. Com ruas. Uma rua de cada vez.
Comecemos pela "linha da frente": Rua Fernando Farinha.

Fernando Farinha, nasceu a 20 de de Dezembro de 1928 no Barreiro, ainda criança veio residir para Lisboa com os pais. Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de "Miúdo da Bica" (bairro onde morava). Entre finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A.
Fernando Farinha faleceu no dia 12 de Fevereiro de 1988.


Deixo-vos, "O rapaz do táxi":

"O jovem chauffer de praça
Dono e senhor da cidade
A buzinar e a refilar por todos passa
Como uma flecha sempre em louca velocidade

Quando apanha um passageiro
Se o serviço não lhe agrada
Torce o nariz, ele aí vai caminho inteiro
Metendo todas as mudanças á pancada

O rapaz do táxi tal como a guiar
Conduz sua vida sem nunca afrouxar...
Tem pé vigoroso, firmeza na mão
Faz frente ao destino sem meter travão...
O rapaz do táxi tem motor no peito
Tanto anda nas curvas como anda a direito...
A vida é malvada e jamais melhora
Se não fôr levada sempre a cem á hora

O jovem chauffer de praça
Mal começa a entardecer
Se fez a folha, já ninguém, ninguém a caça
Até á hora em que o colega o vem render

Ao balcão dum velho bar
Entre um bagaço e um café
Fuma um cigarro e lê a Bola, até chegar
Sua miúda que trabalha ali ao pé"
(
http://jorgesilva.bloguedemusica.com/8097/O-rapaz-do-taxi/ )

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Poema dum funcionário cansado

"A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passoas casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só"
(António Ramos Rosa)

As casas "engolem-nos", mas os sonhos trocados ou nao, existem.

sábado, 9 de agosto de 2008

800 m2




E aqui está ela. Conforme prometido: a praça de 800 m2. Avisto manhãs com pão quentinho à porta. Avisto belos fins de tarde numa esplanada. Avisto passeios em noites de verão.Avisto um bairro a nascer.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Era assim..


Boa tarde! Em época tipicamente de férias, regresso com uma memória:"era assim",..um pouco da praça que está a surgir.. antes de surgir?! Daqui a alguns dias mostrarei o "está assim". Edtá prometido :)