sábado, 6 de setembro de 2008

Sarabande

http://www.youtube.com/watch?v=8DfDVQ0pdfo

lei

"E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."

(Machado de Assis, in Quincas Borba)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

absoluto

"Era um tipo estranho. Digo bem "um tipo". Olho um homem, uma mulher, e nem sempre me é possível tentar sequer abordar-lhe a pessoa por dentro. Porque há indivíduos que irresistivelmente reduzimos a "objectos". São os indivíduos "característicos" com tiques, com uma aparência de traços nítidos. Compreendo a tentação da caricatura: a um olhar sem mistério, os homens são a caricatura do homem. Por isso o romance tem ignorado a outra zona. Ah, escrever um romance que se gerasse nesse ar rarefeito de nós próprios, no alarme da nossa própria pessoa, na zona incrível do sobressalto! Atingir não bem o que se é "por dentro", a "psicologia", o modo íntimo de se ser, mas a outra parte, a que está antes dessa, a pessoa viva, a pessoa absoluta. Um romance que ainda não há... Porque há só ainda romances de coisas - coisas vistas por fora ou coisas vistas por dentro. Um romance que se fixasse nessa iluminação viva de nós, nessa dimensão ofuscante do halo de nós... "
(Vergílio Ferreira, Estrela Polar)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ponte


“Entre instante e instante,
entre eu sou e tu és,
a palavra ponte.

Entras em ti mesma
ao entrar nela:
como um anel
o mundo fecha-se.

De uma margem à outra
há sempre um corpo que se estende,
um arco-íris.

Eu dormirei sob os seus arcos.”

(Octávio Paz, 1998)

sábado, 30 de agosto de 2008

António Menano

Voltemos às ruas:
Nascido nas faldas da Serra da Estrela de uma família de 12 irmãos, António Menano(1895 - 1969) foi sem sombra de dúvida o mais conhecido e popular cantor de fados de Coimbra. Com onze anos, já cantava e compunha fados e em Coimbra, onde estudou Medicina, cedo se tornou ídolo da Academia, enriquecendo o espírito estudantil e a lenda coimbrã de uma certa boémia própria da juventude, de fados e serenatas, misto de arte e romantismo, de sonhos e ilusões. António Menano está tão intimamente ligado ao fado de Coimbra e este a ele que se não pode dissociar um do outro; falar de António Menano é falar do fado de Coimbra e da chamada década de oiro.


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Michael Jackson - 50 anos

Michael Joseph Jackson nasceu em Gary, Indiana, a 29 de Agosto de 1958.
É o sétimo de nove filhos de Joseph e Katherine Jackson.
Resultado da rigidez do pai, as crianças eram mantidas trancadas em casa enquanto ele trabalhava até tarde; mas escapavam frequentemente para as casas dos vizinhos, onde cantavam e faziam música. Tudo se manteve até ao dia em que Joseph tomou consciência do talento dos filhos e resolveu lucrar com isso. Michael Jackson começou a carreira aos cinco anos de idade como líder vocal do grupo Jackson 5.




quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eia! Eia! Eia!

“À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagem, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! (...)
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro.
Porque o presente é todo o passado e o futuro. (...)
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
(...)
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!
Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeia, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas e trabalhar, eia!
Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!
Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!”
(Álvaro de Campos, Ode Triunfal)