domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
desembocar
"e queremos gritar e na garganta o grito se desvanece: desembocamos no silêncio onde o silêncio emudece."
(Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra")
(Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra")
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
por vezes
"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos."
(David Mourão-Ferreira)
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos."
(David Mourão-Ferreira)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
careca
"Sobrenome verdadeiro
O de António Callado,
Porque ninguém mais matreiro,
Mais sonso, mais disfarçado!
Namorou um ano inteiro
A prima do Alcobia,
Sempre tão bem penteado,
Que me afirmou ela um dia:
- "Não tem na cabeça um pêlo,
E nem pela fantasia!
Me passou que tal cabelo
Fosse cabelo postiço!"
Afinal passa o derriço,
Chega a noite do noivado,
e naquele rebuliço
Despejou-se-lhe o tapiço
E adormeceu de cansado.
Ela, que acordou primeiro,
Apalpa-o pelo toutiço,
Acha pelado... roliço...
E diz-lhe assim de mansinho,
Abanando o companheiro:
- Ó Antoninho! Antoninho!
Pois que maneiras são essas?
Olha que estás às avessas...
Tens o cu no travesseiro."
(João de Deus)
O de António Callado,
Porque ninguém mais matreiro,
Mais sonso, mais disfarçado!
Namorou um ano inteiro
A prima do Alcobia,
Sempre tão bem penteado,
Que me afirmou ela um dia:
- "Não tem na cabeça um pêlo,
E nem pela fantasia!
Me passou que tal cabelo
Fosse cabelo postiço!"
Afinal passa o derriço,
Chega a noite do noivado,
e naquele rebuliço
Despejou-se-lhe o tapiço
E adormeceu de cansado.
Ela, que acordou primeiro,
Apalpa-o pelo toutiço,
Acha pelado... roliço...
E diz-lhe assim de mansinho,
Abanando o companheiro:
- Ó Antoninho! Antoninho!
Pois que maneiras são essas?
Olha que estás às avessas...
Tens o cu no travesseiro."
(João de Deus)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
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