terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

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"Hoje sei que só se é feliz quando não se dá por isso."

(Teresa Rita Lopes)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

UrsaMaior

"Chegam-lhe os fragmentos de uma conversa telefónica trepidante, «agência de câmbio», «é claro que não», «e quando foi isso?»,«não me diga!», «tem a certeza?», «o senhor onde está?»,«nem me diga isso!». Bate com a porta como que para anunciar que nunca mais o apanham nas imediações, nem sequer tenta fazer uso do elevador, desce os cinco andares apressadamente pelas escadas, tropeça diante da entrada num trolha que leva uma prancha ao ombro. O homem corre para o parque de estacionamento, ofegante e contendo se para não gritar, encaixa-se ao volante, e demarra, e arranca, largando dois negros riscos de pneu no alcatrão."

Mário Claúdio, é o pseudónimo do escritor Rui Manuel Pinto Barbot Costa. Licenciado em Direito. É autor de obras de ficção, poesia, teatro e ensaio.
O romance Camilo Broca, editado em 2006 pelas Publicações Dom Quixote, venceu, por unanimidade, a 11ª edição do Prémio Literário Fernando Namora/Estoril Sol.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

dream

"Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos é sonhar mais."
(Marcel Proust)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Poeminha Tentando Justificar Minha Incultura

"Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cómodo abandono,
Pego no sono."
(Millôr Fernandes, in "Pif-Paf")

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

a festa do silêncio

"Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta. "

(António Ramos Rosa, in "Volante Verde")