domingo, 8 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

profundidade do ser

"E de vez em quando descer à gravidade de mim, à profundidade do meu ser. E verificar então que tudo se transfigura. Que é que significa este garatujar quase gratuito, este riso superficial, todo este modo de ser menor? A melancolia profunda, tão de dentro que ela se iguala à alegria sem medida. Espaço rarefeito de nós, é o lugar da grandeza do homem, do que é nele fundamental, o lugar do aparecimento de Deus. Mas Deus não me aparece - aparece apenas a inundação que me vem da infinita beatitude, da grandeza e do assombro. Nós vivemos habitualmente à superfície de nós, ligados ao que é da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias. Mas de vez em quando, o abismo da natureza, um livro ou uma música que dos abismos vem, abre-nos aos pés um precipício hiante e tudo se dilui num sentir que está antes e abaixo e mais longe que esse tudo. Há uma harmonia que em nós espera por um som, um acorde, uma palavra, para imediatamente se organizar e envolver-nos. E aí somos verdade para a infinidade dos séculos."
(Vergilio Ferreira, conta-corrente 3)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

nice boy

La Bohéme

É uma ópera em quatro actos de Giacomo Puccini, baseado no livro de Henri Murger Scènes de la vie de bohème. Estreou no Teatro Régio de Turim a 1 de Fevereiro de 1896.

Paris, final do século 19. Quatro amigos levam uma vida cheia de privações num sótão, ainda que balizadas por bons espíritos: o escritor Rodolfo, o pintor Marcello, o músico e Schaunard e o filósofo Colline. É Natal e decidem comemorar no Café Momus, como manda o costume no Quartier Latin. Rodolfo fica para trás para terminar um artigo. Batem à sua porta e é sua vizinha Mimi, que está sem velas e pede fogo. Rodolfo fascina-se por ela. Amor à primeira vista! Motivados por suas emoções, nenhum dos dois suspeita que uma doença fatal de Mimi em breve irá separá-los novamente...



terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

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"Hoje sei que só se é feliz quando não se dá por isso."

(Teresa Rita Lopes)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

UrsaMaior

"Chegam-lhe os fragmentos de uma conversa telefónica trepidante, «agência de câmbio», «é claro que não», «e quando foi isso?»,«não me diga!», «tem a certeza?», «o senhor onde está?»,«nem me diga isso!». Bate com a porta como que para anunciar que nunca mais o apanham nas imediações, nem sequer tenta fazer uso do elevador, desce os cinco andares apressadamente pelas escadas, tropeça diante da entrada num trolha que leva uma prancha ao ombro. O homem corre para o parque de estacionamento, ofegante e contendo se para não gritar, encaixa-se ao volante, e demarra, e arranca, largando dois negros riscos de pneu no alcatrão."

Mário Claúdio, é o pseudónimo do escritor Rui Manuel Pinto Barbot Costa. Licenciado em Direito. É autor de obras de ficção, poesia, teatro e ensaio.
O romance Camilo Broca, editado em 2006 pelas Publicações Dom Quixote, venceu, por unanimidade, a 11ª edição do Prémio Literário Fernando Namora/Estoril Sol.