sábado, 18 de setembro de 2010

eternidade

"devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos."


(José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão")

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

esperam e desesperam

"Estamos enterrados em convenções até ao pescoço: usamos as mesmas palavras, fazemos os mesmos gestos. A poeira entranhada sufoca-nos. Pega-se. Adere. Há dias que não distingo estes seres da minha própria alma: há dias em que através das máscaras vejo outras fisionomias, e, sob a impassibilidade, dor, há dias em que o céu e o inferno esperam e desesperam." (Raúl Brandão)

domingo, 29 de agosto de 2010

tradição

"O mar azul e branco e as luzidias
Pedras - O arfado espaço

Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo

Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida."
(Sophia de Mello Breyner)