sábado, 5 de maio de 2012

marcha da fome




























As greves de 8 e 9 de Maio de 1944 foram o resultado de várias lutas pelo pão e outros alimentos que faltavam em todo o país. De Sacavém saiu uma marcha encabeçada por mulheres que, engrossando pelo caminho e sob forte pressão das forças da ordem, se dirigiu à sede do concelho, em Loures, para exigir menos fome e mais pão ao então presidente Dário Canas.. 
Hoje, em representação desses tempos, efectuou-se a réplica dessa marcha da fome.
No total, 14.30 kms.

terça-feira, 1 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

a marca


Nas estantes os livros ficam 
(até se dispersarem ou desfazerem) 
enquanto tudo 
passa. O pó acumula-se 
e depois de limpo 
torna a acumular-se 
no cimo das lombadas. 
Quando a cidade está suja 
(obras, carros, poeiras) 
o pó é mais negro e por vezes 
espesso. Os livros ficam, 
valem mais que tudo, 
mas apesar do amor 
(amor das coisas mudas 
que sussurram) 
e do cuidado doméstico 
fica sempre, em baixo, 
do lado oposto à lombada, 
uma pequena marca negra 
do pó nas páginas. 
A marca faz parte dos livros. 
Estão marcados. Nós também. 

Pedro Mexia, in "Duplo Império"

domingo, 22 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

renascer

"No céo, se existe um céo para quem chora. Céo, para as magoas de quem soffre tanto... Se é lá do amor o foco, puro e santo, Chama que brilha, mas que não devora... No céo, se uma alma n'esse espaço mora. Que a prece escuta e encharga o nosso pranto... Se ha Pae, que estenda sobre nós o manto Do amor piedoso... que eu não sinto agora... No céo, ó virgem! findarão meus males: Hei-de lá renascer, eu que pareço Aqui ter só nascido para dôres. Ali, ó lyrio dos celestes vales! Tendo seu fim, terão o seu começo. Para não mais findar, nossos amores. "(Antero de Quental, in 'Sonetos')